Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

O ar nocturno

Uma flor de gelo desliza

como acontece em sonhos,

flutua entre prédios soturnos

desce ravinas artificiais

sobe um instante na maré imaginária,

soprada nas sombras da sombra.

E a certo passo desiste.

Ainda no embalo tépido do vento,

antes de se deitar na terra,

dissolve-se no ar nocturno

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publicado por Luís Naves às 12:06

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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Anatomia da insónia

 

 

Rasteja o rumor da cidade

Pela casa adormecida.

Sinto pequenos dentes

A escavarem a noite

minando as suas muralhas

de pedra envelhecida.

 

Movo em vão o meu corpo

Na bruma doente, humedecida.

Viro-me de novo, lentamente

dentro de voláteis pensamentos

que querem deslizar no tempo

da madrugada vencida.

 

 

Já ouço os curtos passos

Na hora amanhecida.

São os outros infelizes

Que tal como eu faço

Esperam o sono docilmente

Como se esperassem a própria vida

 

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publicado por Luís Naves às 09:37

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